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14/11/2006 - 18:14 "Seria o mesmo que cada lápis comprado tivesse que ser cadastrado"Para especialista em inclusão digital, dispositivos do projeto de lei para a segurança na internet invertem os valores republicanos e aumentam o controle do estado sobre o cidadão, quando haveria a necessidade de promover o contrário Por Iberê Thenório Na última terça-feira foi retirado da pauta de votação do Senado o projeto de lei que regulamenta os crimes da internet. Depois de muita polêmica, ficou destacada a necessidade de maior discussão da sociedade a respeito do assunto, inclusive através de uma audiência pública. No projeto de lei, cuja última redação foi dada pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), estão previstas medidas como a necessidade de o usuário se cadastrar junto ao provedor de internet através do fornecimento de dados pessoais - passíveis de verificação - como data de nascimento, nome completo e endereço. A identificação do usuário teria que ser realizada a cada acesso. A responsabilidade por esses dados ficaria a cargo dos provedores, sendo que a lei prevê pena de prisão - de dois a quatro anos - àqueles que permitirem "acesso indevido". Para o consultor jurídico do Ministério da Comunicação, Marcelo Bechara, o projeto "atesta contra a inclusão digital". Entre as questões polêmicas levantadas está a sugestão de Azeredo de responsabliizar os professores pelo o que seus alunos fizerem na Internet dentro da escola. Em reunião para discutir o assunto, realizada nesta terça-feira (14) na Câmara dos Deputados, Azeredo admitiu a possibilidade de retirar de seu projeto o item que trata da obrigatoriedade de identificação dos usuários da rede. Para discutir as possíveis conseqüências da identificação obrigatória, contida no projeto de lei na inclusão digital, a Repórter Brasil entrevistou o pesquisador Carlos Seabra, que é diretor do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos (IPSO) e coordenador do Ponto de Cultura Vila Buarque e membro da coordenação do Movimento Humanismo e Democracia (MHD). Repórter Brasil - Esse projeto pode atrapalhar a inclusão digital? Que tipo de conseqüências o projeto de lei pode trazer para os infocentros e outras iniciativas semelhantes, ao exigir a identificação toda vez que alguém entrar na internet? Basta olhar o que ocorre com a inepta política de segurança nos EUA que, ao acabar com históricas conquistas da democracia daquele país, aumentou o que dizia querer combater, numa escalada que nos trouxe até a justificativa de campos de concentração, de julgamentos secretos e da tortura. Em pesquisa recém-divulgada, o Comitê Gestor da Internet no Brasil informa que 67% dos brasileiros nunca utilizaram a internet. O motivo deles não acessarem a rede seria, para 50,64%, não saber usar computador, enquanto 22,40% não têm habilidade com a internet. O projeto de lei poderia piorar essa situação? A iniciativa da criação dessa lei no Brasil segue alguma tendência mundial para o controle da Internet? Qual é a melhor forma para lidar com os crimes da internet? Você acredita ser necessário novas leis a respeito?
Comentários: GERSON SANTIAGO - 15/11/2006 - 15h01
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